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Museu Rural Auta Pinheiro Bezerra

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domingo, 13 de fevereiro de 2022

LEMBREI DE VOCÊ, MANOEL BEZERRA

LEMBREI DE VOCÊ, MANOEL BEZERRA
Talvez tenha sido eu a primeira pessoa que li o livro O Tempo Como Testemunha que mamãe escreveu. Um diário pungente e intrépido do cotidiano de minha família e, como croquis, noções do que era Santa Cruz e a fé da nossa região. Acumularam-se anos após a minha primeira leitura daquele caderno que, a olho nu, parecia irrelevante e, caso não tivesse vindo para minhas mãos, tivesse ficado esquecido, como está adormecido maior parte da história de luta dos santacruzenses. Mesmo assim, ainda tenho em mente algumas recordações das palavras de mamãe, a maioria delas, como receitas de bolo, nos apontando caminhos para percorrer a vida. Talvez, de todos estes ensinamentos, o mais potente deles tenha sido quando ela nos diz para cuidar-nos um dos outros. Auta Pinheiro, minha mãe, pede para cuidarmos um dos outros. A mim isso chegou como uma seriedade tão grande que criei, para preservar a história de minha família, o Museu. Talvez, seja este o mesmo sentimento que guia minhas mãos por estas linhas afim de falar do meu irmão Manoel Bezerra. Falar em Manoel é mantê-lo vivo em espirito e história ao lado da gente.

Para falar de Manoel, confesso, precisaria de anos e muitas páginas para só assim tentar criar um retrato devotado a autêntico da sua figura e importância para Santa Cruz. Uma “metamorfose ambulante” ou “os doze trabalhos de Hércules” seriam obras que talvez pudessem, pelo título, sintetizar a luta do meu irmão. Primeiro “blogueiro” da cidade, ganhou notabilidade e ascensão popular ao despojar sua voz na difusora A Voz do Trairi que ficava sobre o casarão da minha família na praça Coronel Ezequiel. “Rebelde”, Manoel foi um líder comunitário e libertário como poucas vezes se viu na nossa história. Talvez você, mais jovem, não saiba que os desfiles de sete de setembro do Grupo Escolar Severino Bezerra, que Manoel foi diretor, eram verdadeiras odes a democracia, a liberdade e a luta por direitos para todos. Isso sem contar a banda fanfarra de Boa Hora que a custo de muito suor, Manoel conseguiu montar e fazê-la sempre funcionar.

Mas um Rebelde nunca perde a tal teimosia interior, Manoel também foi, por muitos anos, organizador da Festa do Boi em Parnamirim. Tornou-se presidente da ANEA (Associação Norte Rio-Grandense dos Engenheiros Agrônomos) e chefiou o projeto Algaroba na Secretária de Agricultura do Estado. Notabilizado também pelas consagradas festas como o Natal Cultural com Pastoril e o São João na Roça.

Manoel foi, como diria Fernando Pessoa: “um homem de sensibilidade justa e reta razão”. Eu poderia passar dias aqui falando as proezas de meu irmão, mas sei que o tempo dessas redes sociais estão cada vez mais curto. Ainda assim, quero enclaustrar estas palavras dizendo que tenho muito orgulho do meu irmão, da sua história e do legado que ele deixou para filhos, netos e bisnetos. Certamente, esteja de onde estiver, junto com meus pais, Manoel, com aquele seu jeito, sorri e, de alguma forma, despeja alegria pelo Museu estar no caminho certo. Manoel é uma figura icônica da nossa história e sua vórtice histórica merecia ser mais lembrada.




CLEUDIA BEZERRA PACHECO


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